Siouxie agora vive em outro lugar – lá no céu dos gatos.O que faz um gato? Mia, toma leite, lambe os pêlos, ronrona, come, dorme, arranha, brilha os olhos no escuro, caça ratos, brinca aos pés dos humanos.
O que me espanta não é a morte. Mais incrível, para mim, é a indiferença total das coisas. O absurdo está em saber que o mundo não tem mais a presença de Siouxie e continua rodando como se nada tivesse acontecido. Por que o mundo não sente?
Carros passam com o som no último volume; atendentes de farmácias vendem condicionadores e cremes para acne; meninos sem educação põem o dedo no nariz quando ninguém está olhando; pedreiros insistem em prosseguir na construção de um prédio que nunca termina.
De certa forma, ela ainda está presente. O ar em que ela miava continua sendo respirado; os pêlos dela ainda se misturam à poeira dos móveis; o som do ronronar de Siouxie ainda é nítido para os ouvidos que lhe eram próximos; o prato de comida está em seu lugar; a cama de trapos aguarda Siouxie; vívida é a memória do dia em que ela arranhou uma visita; os ratos estão em paz nas adjacências; os pés mensuram a geometria diária; e o escuro tornou-se mais escuro do que antes. Tudo se move. Menos Siouxie. Ela vive no céu dos gatos. E nós, na terra dos humanos.
O que me espanta não é a morte. Mais incrível, para mim, é a indiferença total das coisas. O absurdo está em saber que o mundo não tem mais a presença de Siouxie e continua rodando como se nada tivesse acontecido. Por que o mundo não sente?
Carros passam com o som no último volume; atendentes de farmácias vendem condicionadores e cremes para acne; meninos sem educação põem o dedo no nariz quando ninguém está olhando; pedreiros insistem em prosseguir na construção de um prédio que nunca termina.
De certa forma, ela ainda está presente. O ar em que ela miava continua sendo respirado; os pêlos dela ainda se misturam à poeira dos móveis; o som do ronronar de Siouxie ainda é nítido para os ouvidos que lhe eram próximos; o prato de comida está em seu lugar; a cama de trapos aguarda Siouxie; vívida é a memória do dia em que ela arranhou uma visita; os ratos estão em paz nas adjacências; os pés mensuram a geometria diária; e o escuro tornou-se mais escuro do que antes. Tudo se move. Menos Siouxie. Ela vive no céu dos gatos. E nós, na terra dos humanos.
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